quarta-feira, 25 de setembro de 2024

PHDA E PEA - OPINIÕES



"Ele já está mais calmo, precisava de tempo."

"Isso com a idade passa."

"São fases."

"Ele com o tempo vai conseguindo fazer/aprender."

"Ah, isso não é nada, é só imaturidade."

"Ele com a maturidade vai desenvolvendo."

"Todas as crianças têm o seu tempo."

"Devias de pô-lo no futebol para se concentrar mais."

"Isso é normal, todas as crianças são distraídas."

Estas frases fazem parte das observações que ouço com alguma regularidade sobre o Gonçalo. 

São frases que as pessoas dizem com boa intenção, com a intenção de animar, e que muito provavelmente eu também já disse a outras mães, noutras alturas.

Hoje, vestindo a pele de mãe de criança neurodivergente, não gosto destes comentários. Não me ofendem, mas não gosto.

Soam-me a desvalorização, a romantização... coisas que não cabem na nossa luta diária. 

O Gonçalo tem desenvolvido bem.  A escola está a correr bem, a professora já me disse mais do que uma vez que ele se porta lindamente, que trabalha, é sossegado, não gosta de barulho e acompanha bem os colegas. 

Demora mais um bocadinho a fazer, porque se distrai com facilidade e faz muitas paragens. Mas que o acha muito desenvolvido e que pensava que fosse uma criança com mais dificuldades. 

Lendo o relatório da pediatra de neurodesenvolvimento é natural ficar assustado, pois tem apenas o diagnóstico, mas não descreve realmente as características e dificuldades dele.

No entanto, apesar de estar a desenvolver bem, há muito trabalho por trás dessa evolução. 

Não foi só esperar que a idade lhe trouxesse maturidade, muito pelo contrário. 

Têm sido muitas horas de psicomotricidade e trabalho em casa, têm sido muitas frustrações por nem sempre percebermos as frustrações dele, há certos momentos que eu e o pai discordamos das abordagens que temos com ele, há muita leitura e pesquisa sobre o tema, há avanços e recuos...

Quem está de fora, vê uma criança a ser criança. Às vezes mimada e teimosa, às vezes com conversas que deixam certos adultos envergonhados... mas nós, pais, temos consciência de que nem tudo é um mar de rosas!

Há dificuldades! Há dificuldades que vão ser ultrapassadas, há dificuldades que ficarão para a vida toda! Não sabemos quais são e isso angustia-nos.

"Ah, mas isso acontece com todos os pais."

É certo! Mas com os problemas dos outros, posso eu bem. Cada um no seu processo, na sua luta.

Esta é a nossa! Que felizmente temos tido força, discernimento, boa vontade, bom acompanhamento e dinheiro para a enfrentar. (Sim, porque quem não tem o mínimo de poder económico, é triste... o nosso SNS, não ajuda nada, nada acontece... Não é grave, não se cuida, pronto.)

Por isso minha gente, quando uma mãe desabafar convosco, ouçam. Ouçam só, não opinem. Se não estão a passar pelo mesmo, se nunca passaram, ouçam só!

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domingo, 15 de setembro de 2024

1° DIA DE AULAS, 1° ANO

 


Amanhã começa a escola! Primeiro dia a sério,  já que na sexta foi a apresentação, do 1° ano do 1° ciclo.

Nas últimas semanas andei muito ansiosa, de uma forma que nunca tinha sentido. Sei que estava relacionado com o início do ano letivo, mas nem sei explicar bem quais eram as minhas preocupações. 

Consegui deixar tudo para a última, o que não ajudou nada a melhorar a ansiedade.

Andei com a sensação de não conseguir dar conta do recado, de ter tudo atrasado (apesar de não ter tudo, tudo atrasado), o Gonçalo esteve muito irritadiço... nada ajudava.

Mas resolvi pôr mãos à obra, nem que fosse nas vésperas da escola começar. 

Puz o perfecionismo de parte e fiz o que pude dentro do tempo que tinha.

Ontem pintei o quarto dele, fiz mais um grande destralhe, lavei roupa, muita roupa. E hoje forrei os manuais, organizei o material que a professora pediu para os primeiros dias e passei a ferro. 

As refeições da semana estão marcadas, os lanchinhos estão comprados, os ténis limpos, os bonés lavados (no ano passado usava chapéu da pré, agora tem de levar chapéu de casa), a roupa arrumada (pode vir chuva porque está tudo lavado e arrumado...) a lancheira e a garrafa de água estão lavadas... portanto parece-me que está tudo controlado! 

Amanhã começa uma nova fase. Seja o que Deus quiser. Este momento está a ser preparado há 10 meses. Temos trabalhado muito neste tempo, portanto temos de acreditar e confiar no processo! 

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sexta-feira, 13 de setembro de 2024

SOBRE O CONCERTO DOS IMAGINE DRAGONS

 No passado domingo, eu e o meu marido estivemos a mostrar músicas das quais gostamos ao nosso filho.

Temos gostos músicais diferentes, mas há muuuitas bandas que ambos gostamos.

O Gonçalo já está numa idade de saber o que gosta, de perceber os diferentes estilos e de sugerir músicas também para ouvirmos. 

No meio da conversa, falámos de ir a concertos, de ir a festivais e de acharmos que o Gonçalo poderia gostar de algumas coisas, mas que estar numa fila horas e passar horas de pé poderia ser demais para ele.

Onde o meu marido afirmou: "Até eu, se fossemos a um concerto desses agora eu tinha de ficar sentado!"

Posto isto eu desabafei: "oh pá, eu adorava ir a um concerto dos Imagine Dragons! Mas aquilo é um mar de gente, e para ir a um concerto e vê-los nos ecrãs por estar demasiado longe, também não me interessa..."

Depois ainda disse: "Eles estiveram cá em 2022 no Nos Alive.  Mas na altura ainda não os conhecia... porque também não vêm muito cá..."

E o meu marido diz-me: "Mas como é que não conhecias? Nessa altura já eram super conhecidos..."

Claro que eram... mas passaram-me ao lado e só no ano passado é que percebi. E já vos contei a história...

Mas o meu marido ainda rematou: "Se quiseres ir a um concerto deles, eu vou contigo, mas temos de ficar na bancada. Eu já não tenho resistência para ficar de pé tanto tempo. E para ficares perto do palco, tens de ir de madrugada..."

Mas esta conversa foi tão aleatória que nunca na vida íamos imaginar na segunda termos s notícia de que a banda tinha marcado data para Portugal na tour europeia.

Bem, a questão é esta. Eu gosto muito e adorava ir a um concerto, mas realmente ficar longe e vê-los minúsculos e nos ecrãs, não me entusiasma. 

Portanto nem pensámos em comprar bilhetes, além de não ser prioridade, e de termos plena consciência que seria difícil conseguirmos, etc...

O preço dos bilhetes foi muito contestado nas redes sociais, mas sinceramente, as pessoas não sabem os valores deste tipo de espetáculo? São sempre dentro destes valores. 

E acho que isso nem foi problema, parece que esgotaram rapidamente, hoje! 

Portanto há fãs, fãs esses que não se importam de dar esse dinheiro. E ainda bem!

Pode ser que assim venham mais vezes, e numa dessas vezes eu já tenha coragem para enfrentar o mar de gente, ou para ficar numa bancada longínqua, com o meu marido sentadinho a filmar-me enquanto grito: "Dan, I love you... ai, que disparate... I love your music... "

Agora digo-vos uma coisa, para mim é impossível não gostar deles! 

Fotos retiradas da página oficial do Facebook.


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